terça-feira, setembro 16, 2008

. . . . . . .


Talvez caindo em repetição mas não em obsessão, acabo por constatar o grande espaço de tempo que permeia entre um post e o seguinte. Há muito que não escrevo, nem aqui nem em qualquer outro local. Somente nestas alturas se percebe o quanto podemos mudar. Muitas vezes, não porque queremos, mas porque assim nos é exigido.

Contudo, embora distante da escrita, o mesmo não se passa com as palavras. A leitura, continua a ser o que me permite a tão “desejada alienação”.

Através dela podemo-nos ver ao espelho ao encontrar palavras que nos tocam pela sua sensibilidade e quase “colagem” no que se refere a sentimentos que nos trespassam. Um bom exemplo - e falando em termos genéricos – é o extracto que deixo em seguida.
" A verdade, como o silêncio existe apenas onde não estou. O silêncio existe por trás das palavras que se animam no meu interior, que se combatem,se destroem e que, nessa luta, abrem rasgões de sangue dentro de mim. Quando penso, o silêncio existe fora daquilo que penso. quando páro de pensar e me fixo, por exemplo, nas ruínas de uma casa, há vento que agita as pedras abandonadas desse lugar, há vento que trás sons distantes e, então, o silêncio existe nos meus pensamentos. Intocado e intocável. Quando volto aos meus pensamentos, o silêncio regressa a essa casa morta. É também aí, nessa ausência de mim, que existe a verdade."
Peixoto, José Luís; Cemitério de Pianos, pp123.
Manet, Young girl in the garden

18 comentários:

Fernando Pinto disse...

Olá Alexandra! Tenho tido pouco tempo, porque andei em mudanças. Mudei de Santarém para Ovar, minha terra natal. Beijinhos e obrigado pela leitura.

Maria P. disse...

É bom saber de ti...
Mas eu entendo os teus silêncios, porque conheço o som desses silêncios, talvez me identifique com eles também,tu sabes...

Já li esse livro, gostei muito.

Beijinho(S)sempre presente*

Teresa Durães disse...

o silêncio carrega a interioridade

Pedro Arunca disse...

Já tinha dado conta da tua ausência. Todos dejamos mudar para melhor. Que assim fosse.
Boas leituras!
Bj

Bruxinhachellot disse...

As palavras às vezes se escondem no silêncio de nossa ausência.

Beijos de tempestade.

Mocho Falante disse...

ola Alexandra...olha até fiquei banzado com o texto...magnifico...adorei, aliás já ando na net a procurar informação sobre o livro que desconhecia

beijocas

alem do horizonte disse...

Ola Alexandra,
Pois....
Eu também tenho estado um pouco distante mas não ausente da palavra escrita
A musica continua a ser o meu refugio, o meu encontro comigo mesma :)
Não é por acaso que te deixo este link
http://www.youtube.com/watch?v=ZqwPpsqrN3U


Tudo de bom para ti
Beijinhos
MJ

HNunes disse...

E no meio do meu silêncio, entendo o teu e as palavras que aqui lidas, "animam o meu interior" repleto de silêncio.
Bjos

Roderick disse...

E no meio do silêncio, lembrei-me: O que é feito da Alexandra?
Por onde andas que não ouço o trepitar das tuas palavras?

Paulo Sempre disse...

Estou de passagem.
Fica um beijo, tá?
Paulo

A.J.Faria disse...

Olá, Alexandra!
Nem sempre conseguimos conciliar os silencios com o ruído da vida, o que por vezes origia cortes radicais na rotina diária.

Bjs

triliti star disse...

julgo que fez em julho um ano que nos encontrámos pela última vez. depois fechei o quarto. agora durmo numa pequena alcova...

Menina do Mar disse...

Olá!
També tenho estado "um pouco " afastado dos "blogs". Hoje passei por aqui. Adorei o texto.
Até breve.
Bjs

Maria P. disse...

Saudade(S)...:)


Beijinho(S)*

MJose M. disse...

Olá alexandra !
Pois :)
Eu também sei como é! Também tem havido esse espaço de tempo entre post's, la pelo meu canto.
Mas sabe sempre bem passar,parar um pouco e ler ou até reler.
e, sobre os silêncios...
Também sei como são.

Tudo de bom para ti,
Beijinhos

Å®t Øf £övë disse...

Alexandra,
Nessa ausência de ti, também nós sentimos muito a tua ausência. Mas há que saber respeitar os silêncios, e esperar por um vento que te volte a trazer à escrita e às palavras.
Beijinhos.

Luisa disse...

Realmente, de Setembro vai uma grande distância até ao dia de hoje. Tantos meses sem escrever, porquê?

Mocho Falante disse...

viva

já cá estou, de regresso com vonta de partilhar a minha experência vivida.

Beijocas