quinta-feira, novembro 02, 2006

Momentos de chuva.


Lá fora a chuva cai, não de mansinho!
Olhos que a contemplam, aos sentidos auditivos chega, lá longe, o som de um trovão.
Sorte, ou azar poder usufruir, sem ninguém por perto toda esta beleza,
Que a Natureza por vezes nos proporciona.
O céu cor chumbo, por entre as árvores realça o seu verde,
E a chuva continua caindo,
Ouve-se pingar sobre as telhas, para de seguida correr pelos beirais,
Deslizando e, em queda livre, acabar no chão!
E continua, sempre com a mesma cadência,
Limpando tudo quanto encontra no seu caminho.
A flora limpa e alimentada, a fauna, essa está escondida.
Espera o momento soalheiro, para dela se poder alimentar.
São assim os ciclos de vida...
Para quem gosta deste som, pode projectar nele as lágrimas que não correm.
Limpar a "alma" daquilo que a vida nos dá, mas que preferimos esquecer.
De repente, uma luz intensa entra, preparando para o som seguinte,
Segundos mais tarde, surge o trovão que, também ele pode servir de projecção...
Simboliza a raiva, a dor, o grito, a revolta... aquilo que,
Queremos calar.
E no desenho que o relâmpago faz, tal como numa nuvem passageira,
podemos ficar com uma imagem que o nosso cérebro retém.
Um coelho, uma cara de perfil, um mapa...
Um monstro, para muitos de nós!
Enquanto tudo isso nos passa pelo consciente,
ela, a chuva, vai caindo e... limpando...!
Fotografia: José Pedro Pinto da Costa, www.Olhares.com

15 comentários:

Carlos Henriques disse...

Olá Alexandra
Está bonito este post. A determinada altura dizes "Limpando tudo quanto encontra no seu caminho" e eu que tantas vezes andei à chuva nunca fiquei limpo...apenas fiquei molhado.
Quem anda à chuva molha-se e disso nâo tenho duvida... molhei-me e por mais que tente não consigo secar...
**beijos**
(se calhar só disse asneira...deve ser por ainda estar molhado)

Mel disse...

Amiga,
A chuva hoje foi uma constante, fora e dentro do meu espaço...
O dia amanheceu cinza e cinza-negro se deitou ...
A chuva, poderá ser o assentar de uma poeira ou um lamaçal sem fim ... qd dentro de nós tudo se agita, tudo se revolta e a lágrima se solta!
Bjs de Mel

Isabel José António disse...

Olá Alexandra,

É assim a beleza (diremos cruel?)das coisas da Natureza. Das chuvas, dos tufões, das trovoadas, etc. Atrás desses fenómenos costumam vir tempos de pausa, onde o sol brilha e o céu fica azul.

São ciclos, dentro de outros ciclos. Cada um contendo os dois lados da vida (o bom - a beleza monumental duma tempestade - o mau - a destruição que pode causar)

Como a cara e a coroa; a noite e o dia; o sim e o não; a vida e a morte.

Teia subtil que sempre se tece
Interminável de beleza e dor
É no seu âmago que tudo acontece
O fio que a conduz é o amor

Vida dentro de outra vida
Esgar misturado com sorriso
Saberemos ter a imagem querida
Ou ficamo-nos ao que é preciso?

Um grande abraço e bom fim de semana

José António

Isa&Luis disse...

Olá amiga,
Linda imagem, texto perfeito, uma tela repleta de emoções.

Amei!

Bom fim de semana, com muito amor e alegria.

Jinhos

Isa

Tó Luis disse...

Oi AlEX...
Obrigado pela passagem na Galeria ...adoro ter-te por lá...
Fiz uma busca nos meus apontamentos e encontrei isto , já nâo sei quem escreveu ou o titulo do poema mas claro as palavras ficam...

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.

Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente

e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:

mas há pouco, há poucochinho,

nem uma agulha bulia

na quieta melancolia

dos pinheiros do caminho...



Quem bate, assim, levemente,

com tão estranha leveza,

que mal se ouve, mal se sente?

Não é chuva, nem é gente,

nem é vento com certeza.



Fui ver. A neve caía

do azul cinzento do céu,

branca e leve, branca e fria...

- Há quanto tempo a não via!

E que saudades, Deus meu!



Olho-a através da vidraça.

Pôs tudo da cor do linho.

Passa gente e, quando passa,

os passos imprime e traça

na brancura do caminho...



Fico olhando esses sinais

da pobre gente que avança,

e noto, por entre os mais,

os traços miniaturais

duns pezitos de criança...



E descalcinhos, doridos...

a neve deixa inda vê-los,

primeiro, bem definidos,

depois, em sulcos compridos,

porque não podia erguê-los!...



Que quem já é pecador

sofra tormentos, enfim!

Mas as crianças, Senhor,

porque lhes dais tanta dor?!...

Porque padecem assim?!...



E uma infinita tristeza,

uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na Natureza

- e cai no meu coração.

Beijinho e tudo de bom

Anónimo disse...

a chuva é chata como o caraças
o vento ainda o é mais
só nos resta ficar em casa
no sofá a ler os jornais...

até que um dia virá sol
e nós já nem nos lembramos
que foi a chuva que nos ajudou
quando nós desesperamos

por isso minha querida
nem só de gajas percebo eu
pois um PB que se preze
ama tudo o que lhe aconteceu

poeta_silente disse...

Oi, Alexandra!
Lindo post!!! Lindo, mesmo!
Eis:
"Para quem gosta deste som, pode projectar nele as lágrimas que não correm.
Limpar a "alma" daquilo que a vida nos dá, mas que preferimos esquecer.
De repente, uma luz intensa entra, preparando para o som seguinte,
Segundos mais tarde, surge o trovão que, também ele pode servir de projecção...
Simboliza a raiva, a dor, o grito, a revolta... aquilo que,
Queremos calar."

Uma das coisas que mais gosto de ouvir é o barulho de uma chuva forte, mesclada com raios e trovões, quando estou em momentos tristes. Mas não simboliza a raiva...o grito de revolta... Para mim, simboliza o que eu quero dizer e que não digo, o grito de dor. Ambivalentemente, significa aconchego, proteção, descanso. Vontade de deitar e dormir. Gosto quando vou dormir com chuva forte e temporal. Sinto-me protegida.
Belas e profundas palavras.
beijos
Miriam

xano disse...

Muito bonito, como sempre!

Bjs e fica bem!

Bom fim de semana!!!

Cadinho RoCo disse...

' Mas de onde vem tanta chuva que não pára nunca
Cadinho RoCo
www.balaiodeminas.com.br

josé disse...

Alexandra, é pena que a realidade, para algumas (muitas) pessoas, não seja assim tão poética.
Mas está muito bonito.

kuka disse...

José Kuka.

DE PROPOSITO disse...

Olá.
Dir-te-ei que a foto é muito bonita. Foi captada no momento certo. Sobre o poema, a chuva é tema muito utilizado pelos poetas, não tanto como o amor.
E quero que fiques bem.
Um beijinho para ti.
Manuel

Desambientado disse...

Olá Alexandra.
Também faz tempo que não passava por cá. Não é por falta de qualidade do blog, nada disso, são outras razões que ultrapassam as amizades virtuais.
O último post está fantástico, digno da comemoração de um poético Outono.
De facto a água limpa, na maioria das vezes e especialmente o corpo, porque quem limpa a alma é a arte: a poesia, a música ou a pintura.


Bom fim de semana.

Isabel José António disse...

Olá Amiga Alexandra,

O seu post sobre a chuva está muito bom, muito bonito. Muitos parabéns.

Não parecendo que tenha nada a ver com o seu post, não resisto a transcrever um pedaço dum livro espantoso, na sequência daquele que já lhe indiquei:

"...

No decorrer do século XX, cientistas físicos descobriram que a realidade física é diferente daquela que sempre imaginávamos. Na constituição das coisas vulgares, descobrimos entidades - os átomos, as moléculas, as partículas elementares - que existem numa espécie de realidade que é diferente da realidades dos objectos que constituem. De certa forma, estas entidades quânticas, de que nós e tudo o que nos rodeia somos feitos, não são totalmente reais, mas estão "situadas entre a ideia de uma coisa e uma coisa real", como escreveu Heinsenberg (1962). Especificamente, as partículas elementares podem agir como se estivessem em muitos sítios ao mesmo tempo, podem existir em estados não materiais que se estendem por amplas partes do espaço, têm propriedades de aparência mental e são capazes de se afectar reciprocamente de uma forma instantânea ao longo de grandes distâncias. Resumindo, a realidade física não é o que parece e as partes microscópicas que constituem as coisas não são meras edições em miniatura dos objectos vulgares da nossa experiência consciente, mas são diferentes na sua essência.

Estas descobertas devem afectar as nossas perspectivas da natureza humana, particularmente, da nossa natureza espiritual.. Como consequência, a partir de uma tradição na nossa cultura que se caracteriza pelo conflito entre ciência e religião, somos agora capazes de entrar numa era de congruência e cooperação em que o que conhecemos acerca do mundo não esteja em conflito com as nossas esperanças. ..."

Extraído do livro:

"Em busca da realidade Divina", com o sub título - A Ciência como fonte de inspiração

Autor: Lothar Schafer

Editora - Ésquilo

Do Autor:
Nasceu em 1939 na Alemanha. Desde 1978 é cidadão dos EUA.

É Professor de Química-Física na Universidade do Arkansas. É um químico estrutural, e o seu trabalho de investigação científica abrange as áreas da Difracção de Electrões, Química Quântica Aplicada e Química Computacional. Foi pioneiro em parceria de estudos quânticos químicos e experimentais de estruturas moleculares, amplamente utilizados na actualidade, e participou nas primeiras definições de péptidos e proteínas, geometria química quântica.

Peço desculpa desta longa dissertação.

É de ficar arrepiado quando lemos partes do texto.

Um abraço e a continuação.

José António

Anónimo disse...

isto esta Tudo uma belezura_!!!!