terça-feira, fevereiro 10, 2009

A culpa foi de Eric



Comecei a escrever sobre outro assunto mas, fruto da companhia musical que escolhi (Gnossiennes,de Eric Satie), surgiu-me a imagem de um programa que, por mero acaso, vi na televisão, mais propriamente aqui.
Comecei a minha viagem pela música clássica desde muito cedo. Na altura, e no meio em que vivia, era considerado estranho uma criança gostar de música clássica (de tal forma que a minha mãe ainda levou algum tempo achando que algo não estava bem com a sua filha…). Foram tempos estranhos em que eu própria me considerei um pouco “marginal”. Felizmente, tive alguém que um dia se lembrou de me dar os parabéns. A partir daí, nada nem ninguém mais me conseguiu tirar este bichinho.
Foi pois com imensa alegria que tive conhecimento do projecto Zéthoven. Ver aqui.
Encantei-me vendo aquelas carinhas e olhinhos fantásticos que vibravam com a expectativa dos saraus, o medo do que podia acontecer aquando da sua actuação e, simultaneamente a alegria estampada naqueles rostos quando tocavam os seus instrumentos.
Com todas as crianças me identifiquei. A menina que tocava violino e que manifestava a necessidade em treinar sozinha no seu quarto sem qualquer interferência dos pais. O menino que na hora da sua apresentação se senta ao piano e toca a sua partitura, aquelas mãozinhas que, ainda pequenas, tendem a ficar quase presas ao teclado e que precisamente pela sua dimensão se posicionam frente às teclas quase na horizontal. As peças tocadas… tão infantis, tão fáceis mas tão bonitas e cheias de sonhos.
Com os meus olhos de hoje, vi o que sentia na altura projectado noutras crianças.
Agradou-me de sobremaneira ver como de há umas décadas para cá as mentalidades se modificaram. Estas crianças, com tão pouca idade, podem dar asas às suas capacidades sem que sejam consideradas diferentes. Podem desenvolver-se e evoluir através da música, bem como abrir os seus horizontes a outras realidades que tão necessárias são para um crescimento harmonioso.
Felizmente, ainda se fazem histórias de encantar!!
Imagem: Renoir, Jeune filles aux piano.

7 comentários:

Bruce disse...

Quando vejo crianças felizes abre-se em mim um sorriso do tamanho do mundo.

É realmente único ver os seus olhos brilhar quando fazem algo de que gostam verdadeiramente, sem se importarem com mais nada, sem problemas e sem preocupações, só elas e uma felicidade resplandecente.

Roderick disse...

Aprendi música e a tocar piano em tenra idade.
Depois a partir dos sete/oito anos nunca mais toquei.
Quando pensei que ia morrer há dois anos, como sabes, resolvi ir aprender a tocar uma coisa que sempre sonhei saber tocar: Violino.
Não encontrei um sitio sequer onde pudesse aprender. resolvi ter aulas de piano. Descobri que já não me lembro de nada de música. Sei as notas, os nomes das coisas e pouco mais. Mas continuo a tocar de ouvido. sei onde são os sons e os tons. A professora, uma russa, passava-se. Dizia que sim eu estava a tocar mas sem ler a pauta!! estive para comprar um piano, mas depois pensei: Se morro o que fazem depois ao piano?
No final correu tudo bem e deixei as aulas!
Só quando estamos em estado crítico é que nos lembramos que gostariamos de ter feito algumas coisas na vida!

Mocho Falante disse...

como eu te percebo, pois bem jovem comecei a apreciar muito música clássica, gosto que efectivamente se desviava um pouco da moda da altura...mas a intemporlidade que a música clássica nos dá supera todos os obstáculos

beijocas

Maria P. disse...

Sabes que entendo muito bem essa criança:) Tenho uma assim, desde pequeno gosta de "música estranha" como dizem os amigos dele, sempre teve o meu apoio, claro...

E, como dizes, ainda se fazem histórias de encantar...

E, como tu escreves bem!:)

Beijinho(S) Muito(S)

Maria Clarinda disse...

Sim eu também vi a reportagem sobre o pojecto Zéthovan...também fiquei deliciada.
Pois os génios começam cedo , pena os adultos por vezes estarem de olhos fechados e não ajudarem a "cultivar" as aptências que vamos demonstrando!
Adorei o teu post.
Jinhos muitos

adivinha disse...

E viva essa "marginalidade" de ser diferente.

Não vi o programa, mas todos os projectos que façam realizar o que se quer na vida são bem vindos. É preciso apostar, arriscar, ter confiança.

Afinal, o que sería do mundo sem a musica?

Bem haja pelo optimismo, pelo sonho.

A.J.Faria disse...

A música tem um efeito extraordinário em todos nós!
A beleza da música clássica é inigualável!

Bjs