segunda-feira, julho 06, 2009

Nunca Mais

Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotografia de Filomena Chito

7 comentários:

Conversa Inútil de Roderick disse...

Sophia, a Grande!

PAS[Ç]SOS disse...

Porque na ausência habita um vazio, haverá que criar espaço para que o caminho da naturalidade redescubra o que possa ter sido perdido e devolva a densidade do eu, reinventando o real e preenchendo, em pleno, a presença que já sentimos.

Chica disse...

Lindo e profundo!beijos,chica

Maria P. disse...

Porque a ausência é a mais certa das presenças...

Beijinho(S)*

bia disse...

Um belo poema de Sophia, onde está presente o sentimento da perda, a ausência...
Bjs.
Bia.

Å®t Øf £övë disse...

Alexandra,
Há realmente coisas que se perdem para sempre, mas quando isso acontece há também que perceber que outras coisas estarão para nascer na nossa vida. Afinal a vida é feita de ciclos, e nada acontece por acaso.
Beijinhos.

poeta_silente disse...

Oi, minha querida amiga.
Como estás?
Não gosto desta frase: "nunca mais". Sabes que é uma frase que - no sentido de perda e não de ganho - eu não uso e não creio que exista.
Na realidade, se eu digo :
- Nunca mais vou me machucar.
... este nunca mais é aceitável, porém não plenamente verdadeiro.
Mas se eu digo:
- Nunca mais terei isto - que tristeza!
... este nunca mais é inaceitável e não plenamente verdadeiro, também. Pois do futuro nada sabemos.
Além disto, gosto de olhar para frente. Esqueço todo o passado e vivo meu presente. Não me preocupo com o futuro - que existirá ou não - e o que passou não lembro.
Mas não é um esquecimento repressivo. É um "deixar para trás" por não ter mais importância. Por saber que meu presente é lindo e meu futuro seguro. Seja onde for, um futuro seguro.
Assim, querida amiga, ausência não é sinônimo de perda. Ausência é apenas um estado material, que pouca importância tem. A saudade pode chegar e, automaticamente, a presença volta a se fazer sentir - no pensar, no sonhar, no ter vivido... pois o vivido "foi" vivido. E se não o vivemos agora, é porque não seria bom.
O bom é o que vivemos. É o que temos agora, hoje, na nossa frente.
Beijos desta amiga brasileira, mas que te quer muito bem.
Deus te abençoe.
Miriam