quinta-feira, julho 16, 2009

Paralelismos

Imagem de Tatsuo Suzuki
Esperava a chegada do transporte olhando distraidamente em volta. Inadvertidamente, fixou o olhar numa das portas à sua frente. Observou os rostos fechados, os olhares que não se cruzavam, as tentativas de afastamento em cada movimento perpetrado pelos viajantes que entravam.
Subitamente, deu-se conta de que poderia fazer um paralelismo.
Cada janela um acontecimento da sua vida, cada porta um caminho que se havia apresentado e que poderia, ou não, ter sido trilhado. Surge a dúvida: E se tivesse escolhido uma porta e não a outra? E se tivesse aberto a porta quando deveria tê-la fechado de imediato? Quais as repercussões que poderiam ter tido essas escolhas no resultado actual?
Enquanto o pensamento deambulava pelos meandros das hipóteses, o movimento de afastamento acelerava, permitindo-lhe, no final, ver uma única imagem desfocada para, logo de seguida, ficar sozinha visualizando o espaço vazio onde segundos antes um objecto bem definido tinha estado.
Na vã tentativa de visualizar algo que lhe desse referências, lutava contra a sensação de que teria presenciado a sua vida projectada naquele meio de transporte. Acontecimentos vividos, caminhos percorridos, portas que se abriram e outras que se fecharam e… na ânsia infindável de que um dia conseguiria atingir os objectivos a que se propunha, esquecera-se de viver. Deu-se conta que o tempo passa a velocidades inesperadas e que, no fim, restaria somente o vazio… do que poderia ter sido, mas não foi!

8 comentários:

PAS[Ç]SOS disse...

e... às vezes... há que apanhar o transporte para que nos leve para a frente da vida!

Pluma(PrincesaVirtual) disse...

Acredito que estamos destinados a 1 só caminho...a 1 só porta...há sempre ses e mais ses...

O importante de facto é viver o momento da melhor forma possivel...

Um exelente texto :)

Beijinhos

Conversa Inútil de Roderick disse...

Dixit!
Que livro é esse do Miguel Sousa Tavares que andas a ler? Não conhecia!
É o quê? Crónicas? Prosa Poética?
O que é?

L. Malloy disse...

De volta, se não me engano.

L

Ana disse...

Este teu texto fez-me lembrar um filme que vi há uns anos chamado "Sliding Doors" e que nos deixa a ideia de que, independentemente da porta que escolhemos, independentemente dos caminhos que percorremos e dos diferentes acontecimentos que se dão ao longo dos mesmos, no final chegamos sempre a um mesmo destino.

Será assim?

Beijinhos

jardinsdeLaura disse...

Talvez por isso raras foram as vezes que dei comigo parada a olhar para "trás"!!

Å®t Øf £övë disse...

Alexandra,
Precisamente para não se ter a ideia de que a nossa vida se pode transformar num vazio, há que saber vivê-la intensamente sem se colocarem demasiadas questões sobre o porquê de elas acontecerem. Simplesmente acontecem, e há que saber vivê-las, e aproveitá-las ao maximo.
Beijinhos.

Anónimo disse...

Gracias intiresnuyu iformatsiyu