quinta-feira, junho 07, 2007

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-Porque responde o piano tão silenciosamente? Parece que tem medo de ser ouvido!
-Responde assim neste momento à orquestra, mas mais à frente é ele quem toma o comando. Repara bem!
-Sim, é verdade! Neste momento é ele quem toma a dianteira de tudo. É ele quem controla.
-Numa orquestra, todos os instrumentos respondem uns aos outros. É essa a linguagem musical.

Noites e noites ouvindo música já muito ouvida mas sempre querida.
As horas caminhavam e, nem por isso dava. A manhã esperava por mais um dia mas… o pensamento divagava ao som das notas que iam emergindo.
Desde cedo que se tornou um hábito. Lembrando o tempo em que pela primeira vez despertou para as “ideias” das notas, pausas, acordes… É o seu manuseamento que transmite sentimentos como tristeza, alegria, nostalgia… sensações como as estações do ano ou, barulho da água descendo, correndo algures…

Recordações de como se podiam caracterizar no papel aquelas subidas e descidas. Como se pode representar algo que não tem representação?
Haverá algo melhor que a própria imaginação?
O fumo captado por uma objectiva pode muito bem representar o que se ouve. Os seus movimentos ondulantes, a sua direcção, os desenhos que… no fundo, não são feitos por nós mas sim pela massa de ar que nos rodeia!

Ao longo do tempo, afinal, sempre foi a companheira certa para todas as horas. Um refúgio inigualável!

20 comentários:

carteiro disse...

Para mim, no primeiro parágrafo está (uma pequena parte da) alma do Concerto para Piano nº 4 de Beethoven. No segundo andamento ele suplica à orquestra, tem medo, encolhe-se perante os próprios pedidos... E mais à frente, no terceiro andamento, toma de novo a dianteira. E, juntamente com a orquestra, faz uma festa enorme onde ele e todos os instrumentos brilham com todo um esplendor.

E que belas que são essas noites!! A música, para além de uma companheira sempre certa, é extremamente fiel. E não é preciso pedir para ser ouvida, pois Ela existe para isso mesmo.

Fernando Pinto disse...

«-Numa orquestra, todos os instrumentos respondem uns aos outros. É essa a linguagem musical.»

Como gostaria que acontecesse o mesmo quando dialogamos com o olhar e não nos respondem...

Gostei muito deste teu "post".

Beijinhos,
Fernando Manuel

Moinante disse...

" Livre da nascente , tomava conta das mãos sem piedade , roxas de tanto frio ..."

Kanoff disse...

The year's at the spring,
And day's at the morn;
Morning's at seven;
The hill-side's dew-pearl'd;
The lark's on the wing;
The snail's on the thorn;
God's in His heaven-
All's right with the world!

bom dia isabel disse...

Querida Alexandra

Venho agradecer o teu comentário no meu blog. Sabemos ambas que não há palavras que minimizem a dor por que passámos mas saber que há quem se solidarize connosco dá-nos algum conforto e parece que , por momentos, a dor suaviza. Eu sei avaliar estes momentos, bem dolorosos, deixados por quem partiu apressadamente sem que tivessemos tido a oportunidade do último abraço.
Eu tenho por alguns amigos daqui uma ternura muito, muito especial e distingo um, de entre os demais, por me ter dado sempre o seu apoio.
Permites-me que te dedique o post onde deixaste o comentário?
Responde-me porque se o fizeres afirmativamente colocarei uma dedicatória especial. Foste uma querida. Beijinhos

RB disse...

E assim se define a música...

Bruxinhachellot disse...

E a música exerce seu fascínio.

Beijos silenciosos.

Anónimo disse...

Que bonito...
A música é uma das mais belas manifestações do espírito humano. Ela, mais do que qualquer outra forma de expressão artística, consegue expressar os mais variados sentimentos humanos.
A música, companheira fiel em noites intermináveis.
Beijo
Isabel Telles

raspvtiiyn disse...

Em relação ao teu comentario, acho que tens razão quanto ao comentario que me deixaste. As palavras não sei de quem são, mas concordo com elas Porém acho também que passamos a maior parte do tempo demasiado preocupados com o nosso umbigo e não damos valor as coisas boas nem más que os outros fazem. Não, isto nao é antagónico. Apenas pontos de vista diferentes. Porque do tempo que passamos a olhar para dentro tirássemos uma parte para nos descobrirmos e ao nsso potencial individual, concerteza que sorriríamos mais. Curiosamene, depois de um momento dificil das nossas vidas descobrimos isso. Porque será?

Menina do MAr disse...

Olá!
Por falta de tempo não tenho visitado este canto fantástico.
Bom domingo!!!
Bjs.

Isabel José António disse...

Querida Amiga Alexandra,

POis é! Toda a expressão de arte, como sendo a música, a pintura, a escultura, é captada e plasmada pelos espíritos dotados para essa capacidade. (lembra-se do tal inconsciente colectivo do Jung?)

Nesse espaço a harmonia e a interacção de todas as partículas sub-atómicas criam o transcendente, a eternidade, a constante impermanência. As almas e os espíritos mais evoluídos conseguem captar tais vibrações e explanam verdadeiras obras de arte.

Quem consegue ouvir dentro de si, ou captar esse movimento ténue que nos rodeia a todos e a tudo, consegue ser chamado de artista. Mas o verdadeiro artista é aquele espaço onde os artistas foram buscar as suas inspirações.

Querida amiga, muitos parabéns pelo post, pela mensagem por email e pela sensibilidade apurada que vais abendo cultivar.

Um grande abraço

José António

Isabel José António disse...

Querida Amiga,

Por favor vá ver o coment que postei no DIAFRAGMA.

É também para si (uma pequena homenagem)

Grande abraço e bom dia

José António

Pepe Luigi disse...

A música com o seu poder de sonoridade é a mais simbólica expressão apreendida por qualquer Povo.
O som, bem a sim a música, não tem linguagem específica. Entende-se em qualquer idioma, sentimento ou natureza!

Bjs
Pepe.

Isabel José António disse...

Cara Alexandra,

Também vou acompanhando com muito carinho a sua situação, embora por razões de escassez de tempo seja mais frequentemente o José António a poder deixar comentários ou escrever. No entanto, gostaria de lhe deixar uma palavra especial de alento e Amizade: os verdadeiros sentimentos, cheios de força e pureza, não morrem NUNCA e sempre voltamos a encontrar Aqueles que amamos e cuja SAUDADE imensa sentimos. É algo que na altura parece irrecuperável e que sempre nos acompanhará como mais um "cromossoma" psíquico, mas na realidade esses Seres estão bem perto de nós. Podemos por vezes encontrá-los não só na nossa memória, mas nos nossos sonhos. E se a vida do corpo material não for tudo - nós pensamos que não é! - noutros níveis de realidade esses Seres que amamos não desapareceram, apenas estão noutra forma que para nós não é "tocável" tão facilmente. Grande abraço,

Isabel

Maria P. disse...

Lindo. E que nostalgia...

Beijinho*

Isabel José António disse...

Já actualizámos os nossos blogues Poesia Viva, Caminho do Coração e Observatório.

Um abraço da

Isabel e José António

D. Maria e o Coelhinho disse...

Também eu procuro a companhia certa para todas as horas.
Mas ando com azar, tudo de mal me acontece.


Coelhinho

Teresa Durães disse...

no livro "O jogo das contas de vidro", Herman Hess, onde descreve as variações da arte como transversais consegue passar a imagem que mais do que a imaginação é a filosofia contida.

Gostei do que li

boa tarde

bettips disse...

Não sabia que eras tu, a A. (venho da madrugadora Isabel). Então, têm mais sentido as palavras que lá deixei. São todas tuas e nossas, toma-as. Com beijos.
Naquele lugar que gostas, que tão pouco visitei, aquele lugar que foi areia, pedra e rio, aquele mosteiro de que aprendi o nome antes de lhe sentir a magia...
lá, pensarei, ainda e também, em ti, em olhos e sons.

Luiz Carlos Rufo disse...

Reis e magos por aqui.
Circulos secretos por lá.
Rufo