quarta-feira, junho 27, 2007

Espirais de memórias.

Olhares, António Lança
Parece assustador. Mas não é!
O movimento ascendente e descendente estamos constantemente a fazê-lo.
O nosso inconsciente mais não é que uma escada em espiral, cada vez mais profunda à medida que avançamos na idade. Nas galerias vamos guardando as memórias de vivências, factos, acontecimentos que nos acompanham nesta caminhada. Os mais vincados e perturbadores estão bem guardados nos lados mais escuros. Só lá vamos acompanhados e de preferência, em boas mãos. Os que podemos aceder estão escondidos nos nichos iluminados e que por vezes, se abrem para nos dar a imagem já antes vivida. De brincadeiras de crianças, de sonhos de adolescente, de entes queridos mas que já não estão entre nós. Nessa altura sorrimos ao lembrar…

Tudo vai sendo construído. Pedra sobre pedra!
Por vezes sentimos que essas pedras podem desfazer-se a qualquer momento e, algumas desfazem-se, mas continuamos sempre … construindo, guardando, recolhendo e voltando atrás para recordar!

Este é o mundo dos sonhos que podem ser escuros ou cheios de cor. Basta escolher qual o nicho onde queremos entrar.

Por estranho que pareça, ou não… conforme “envelhecemos”, o que agora nos parece escuro começa a ter cor. Ou seja, as memórias predominantes serão as que estão no fundo da espiral.
Não é o princípio do fim.
É somente o retorno à essência!

14 comentários:

Maria P. disse...

Basta escolher o nicho...parece fácil, talvez até seja.
Mas muitas imagens que passam neste filme memória/vida, são a preto e branco, talvez envelhecer seja um dom para colorir o filme, talvez...um novo nicho.
Tantos "talvez"...

Excelente post Alexandra.

Beijinho*

carteiro disse...

Bem podem as pedras mudar de aspecto ou de sítio mas o coração da construção a que pertencem, continua lá.
Parte do retorno à essência não será também um regresso à inocência? Quando tantas pedras estavam intactas e tinham um brilho diferente...
Um escada em espiral assim é tão rica. Tão intensa em memórias, nos degraus do fundo; tão diabólica, em degraus aleatórios; tão.... sei lá, quem é este carteiro para falar nalguma coisa tão grandiosa?
Mas sonho e sinto uma espiral assim, que é ou será minha (assim que estiver minimamente completa) assim como sonho com a união dos degraus do fundo com os do cimo, numa espiral cíclica, se tal pode sequer existir.

her disse...

perfeito o que escreveste :)

as memórias.. o que somos ou deixamos de ser só porque vivemos presos às memoria?

quem me dera (a mim e a muita gente), que essa cor de que falas nao demore a aparecer.
viver sempre nos tons cinza é angustiante.

nos dias que correm, nao é facil encotrar essa essencia. mas acredito que nao é impossivel



:)

Maria Clarinda disse...

Quinta da Regaleira? Só aqui se pode sentir a intensidade do teu post.
Jinhos grandes

Teresa Duraes disse...

(quinta da Regaleira, excelente lugar)

ficam as memórias cheias de relacionamentos. E essa descida ao fundo é algo bem doloroso

A.S. disse...

O Mundo dos sonhos é um mundo fascinante! Uma espiral de sensações que nos levam em viagens inesqueciveis! No mesmo instante nos mostra um abismo, como uma noite de amor...
E por vezes tão reais, que até poderemos escolher a cor!...


Um terno beijo...

Helena Nunes disse...

"Tudo vai sendo construído. Pedra sobre pedra!
Por vezes sentimos que essas pedras podem desfazer-se a qualquer momento e, algumas desfazem-se, mas continuamos sempre … construindo, guardando, recolhendo e voltando atrás para recordar!"

Assim vamos efectuando a nossa caminhada, a nossa viagem por esta vida que pode ser longa como efémera.
Assim vamos enriquecendo o nosso banco de memórias aonde recorremos, sempre que precisamos de rir, sonhar ou...
Bjos

Bruxinhachellot disse...

Dessa vez você conseguiu se superar, esse texto está indiscutivelmente belíssimo. Tão cheio de significados que me fizeram rever muitos conceitos e sentimentos.

Beijos de fada.

Bruxinhachellot disse...

Estou te indicando como uma das sete maravilhas do mundo bloggeiro. Caso ainda não tenha recebido tal indicação, o Caminho dos Contos o faz agora.

Beijos de fada.

Pepe Luigi disse...

O caminho ao retorno é sempre proveitoso e essencial!

Um beijinho
do Pepe.

Isabel José António disse...

Olá Alexandra,

O Poço Iniciático da Quinta da Regaleira em Sintra é já emblemático no País e chegam a vir estrangeiros para vê-lo.

É uma aragem, uma subtileza que se sente só de se estar perto dele.

Quantos mistérios ali não foram desvendados? Quanta magia não por lá à espera que a descubramos?

Um abraço e bom fim de semana

José António

John Lemmos disse...

Olá Alexandra
Às bloqueio quando te leio... rimou e é verdade.
Então há nichos para todos???...........Guardados, iluminados......basta escolher é?
Bom fim de semana
**beijos**

Helena Nunes disse...

Olá Alexandra, venho deixar-te um prémio que, para ser recolhido terás de passar pelo meu canto.
Bjos

A.J.Faria disse...

Olá, Alexandra!
Sim, a vida é um constante caminhar, onde as voltas se repetem num ciclo próprio, só que em contextos diversos.

Gostei do texto.

Bjs