Este é um espaço livre, onde todo o tipo de escrita pode nascer. Palavras dispersas; Poemas (não meus, mas de quem considero digno desse nome);Pensamentos; Textos onde esboço a minha opinião sobre assuntos mais pertinentes ou problemáticos desta sociedade, etc, etc, etc...
Tenho que dormir! Não é a ausência do sono a causa do medo. É o período que permeia a passagem do estado de vigília para o sono. É o pequeno mas intenso espaço de tempo permeável à emergência do pensamento que corre veloz … sem que nada possa ser feito para parar. Resta esperar a queda num conteúdo onírico que já se prevê perturbador, e acordar para um novo dia, invariavelmente igual aos outros.
Como Agnóstica não sigo qualquer religião. Acredito que embora tenha tentado compreender e assimilar as bases de algumas delas, algo faltou para que pudesse existir identificação. Porém, reconheço que algumas posturas são, de facto, louváveis. Nesse âmbito, e embora sejam palavras retiradas de um livro que em nada toca a religião, não pude deixar de sorrir ao ler as linhas que passo a citar:
“Quase ninguém o sabe, mas o amigo Sempere não punha os pés numa igreja desde o funeral da sua esposa Diana (…) Talvez por isso todos o tomavam por ateu, mas ele era um homem de fé. Acreditava nos amigos, na verdade das coisas e em algo que não se atrevia a dar nome nem rosto (…) O senhor Sempere acreditava que todos fazíamos parte de alguma coisa e que, ao deixarmos este mundo, as nossas recordações, os nossos anseios não se perdiam, passando ao invés a ser as recordações e os anseios daqueles que vinham ocupar o nosso lugar. (…) acreditava que Deus, ou quem quer que aqui nos pusera, vivia em cada uma das nossas acções, em cada uma das nossas palavras, e se manifestava em tudo aquilo que nos fazia ser mais do que meras figuras de barro. (…) acreditava que Deus vivia um pouco, ou muito, nos livros e por isso dedicou toda a sua vida a partilhá-los, a protegê-los e a certificar-se de que as suas páginas, assim como as nossas recordações e os nossos anseios, jamais se perderiam, porque acreditava (…) que, enquanto restasse uma única pessoa no mundo capaz de os ler e de os viver, haveria um pedaço de Deus ou de vida.”
Por mero acaso, descobri este vídeo que considero uma prova viva de como podemos e/ou devemos associar o nosso conhecimento aos recursos que se prolongam para além de nós, obtendo resultados fantásticos e nobres, contribuindo para o desenvolvimento e/ou felicidade de outrem.
Por vezes, basta um pouco de atenção, sensibilidade e criatividade!
Para que se perceba o verdadeiro sentido das minhas palavras, aconselho acima de tudo, a leitura de toda a informação AQUI.
Algum tempo atrás pensei comprar um livro de leitura mais fácil. Aquilo a que mais propriamente costumo designar por leitura ligth. O objectivo é, simplesmente, ler para distrair. Nada que faça pensar muito. Contudo, mesmo no que se refere a este tipo de leitura reconheço que sou difícil de satisfazer.
Há dias, entrando numa grande superfície, olhei para a confusão de literatura que por lá andava e achei por bem que seria mesmo ali que iria fazer a minha escolha. Olhei para um deles e reconheci a autora. Como tinha gostado do seu primeiro livro e sabia que tinha sido editado um segundo, olhei, achei que me era familiar e…nem pensei duas vezes, foi mesmo aquele!
Numa noite em que o sono não chegava de maneira nenhuma, após ter ouvido n+1 músicas, eram 4h e pouco da madrugada e continuava bem desperta. Dada a situação, peguei no livro que estava a ler e pensei que seria através dele que viria o sono. Enganei-me! Acabei de lê-lo e… às 5h continuava tal e qual. Fui então buscar o que havia comprado dias atrás optando já por ler deitada. Primeira página…pareceu-me familiar. Segunda página…já tinha lido aquelas palavras em algum lugar, mas pensei que de alguma forma estivesse relacionado com o primeiro livro que tinha lido da autora. Terceira página… “Impossível!!! Eu já li isto!!!!” Virei a capa do livro para ver melhor e, de facto, o livro era-me totalmente familiar. De repente fiz a associação e, não querendo ainda acreditar, pulei da cama e vim procurar o objecto da primeira leitura. Para grande espanto e exaltação da minha parte, descobri que tinha comprado duas vezes o mesmo livro!
Se às 5 da manhã não dormia, depois desta brilhante descoberta eram quase 6h e ainda estava a “remoer”…
Não me lembro a que horas adormeci (felizmente era fim de semana), mas lembro-me de acordar e, não só lembrar-me de imediato da brilhante asneira que tinha feito, como também de pensar: “Caramba, tens que regressar à terra!!!”
Esta foi a perspectiva visual enquanto criança. Tudo era grande, tudo significava descoberta, alegria, liberdade. Os cavalos, tão grandes e brancos, que “guardavam” serenamente os belos cisnes… havia-os bancos e pretos, mas a sua preferência eram os brancos. Os patos que os acompanhavam… Pequenina, espreitava para o que considerava ser as suas casas, meras aberturas na pedra esculpida. Numa altura em que as questões têm sempre respostas, a preocupação era se a “casa dos patos” era grande para todos, porque fazia frio e eles tinham que se abrigar. E porque nessa altura haviam soluções apaziguadoras para tudo, de imediato a preocupação se dissipava para dar lugar somente ao conteúdo de um imaginário infantil.
Mas o tempo passou e ficou apenas a ideia de um lugar encantado, onde o passado se mistura com o presente na nostalgia das interrogações que hoje não têm resposta. As lágrimas vertidas com o que não era esperado, deixaram um sulco profundo que não mais poderá ser tapado. Os sorrisos em tempo de felicidade diluem-se em cada olhar, os risos calcam-se em cada passo… mas porque outrora foi um lugar encantado, hoje é depósito de esperanças que não podem deixar de existir, mesmo que sonhadas …
Poema encontrado manuscrito, em papel de pétala de rosa, num bolsilho interior da mala chamuscada de S. (leia-se, Snu Abecassis), pela Polícia de Investigação Criminal, após a queda da avioneta em que viajava para o Porto.
"O ùltimo Minuto da Vida de S.". Real, Miguel.
Pessoas que fizeram parte da nossa história enquanto país. Figuras públicas que muito criticadas foram, na altura, pela sua ligação. E a sua beleza num cenário horrendo!
Imagem: Escultura de Auguste Rodin, retirada daqui.
"No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar."
August Strindberg
Mas... ... sim, porque há sempre um "mas" e um "se".E se não chegar???
As formas de fuga de uma realidade, seja ela qual for, podem ser diversas. Umas mais originais que outras, mas todas elas têm um ponto em comum: Esquecer nem que seja por momentos, o que nos perturba. Uma das minhas - tenho que reconhecer - é a leitura. Dela retiro os mais variados conhecimentos, outras vezes nem por isso, mas tão só o facto de ler por melodiosas palavras ideias que me fazem reflectir. Deixo um exemplo com o qual estou completamente de acordo.
" O talento natural é como a força de um atleta. Pode-se nascer com mais ou menos faculdades, mas ninguém consegue ser um atleta simplesmente por ter nascido alto ou forte ou rápido. O que faz um atleta, ou um artista, é o trabalho, o ofício e a técnica. A inteligência com que se nasce é simplesmente a munição. Para se chegar a fazer alguma coisa com ela é necessário transformarmos a nossa mente numa arma de precisão. (...) Toda aobra de arte é agressiva. (...) E toda a vida de um artista é uma pequena ou uma grande guerra, a começar pelo próprio e pelas suas limitações. Para chegar a alguma coisa que te proponhas é preciso primeiro a ambição e depois o talento, o conhecimento e por fim, a oportunidade."
Acrescentaria ainda que a mesma ideia se pode usar no nosso quotidiano.
As crianças e o seu pensamento são o que de mais belo e puro podemos encontrar. Não pensemos que estão desatentas, que podemos ter as mais variadas conversas porque não somos entendidos. Normalmente somos muito bem percebidos e, quando tal não acontece, mais tarde ou mais cedo a pessoa sobre quem estava posicionada a sua incompreensão acaba por sabê-lo.
Não preciso de prova, mas a história que se passou com a minha sobrinha de 8 anos é um exemplo perfeito.
- Ó tia dás-me um copo de àgua? - Claro querida, vem comigo que to dou. Enquanto lhe preparava a àgua, diz-me ela: - Ó tia tu tiraste um curso de (…)? Olhei para ela um pouco surpreendida e pensando por um lado onde quereria ela chegar, por outro admirada como é que ela, sendo minha sobrinha e da qual estou tão perto, sabia tão pouco da minha vida. Respondi-lhe afirmativamente pensando já em perguntar-lhe se não sabia. Não tive tempo porque de imediato avançou: - Então porque trabalhas em (…)? Apanhada de surpresa, respondi-lhe: - Sim querida tirei porque gostava muito, mas como não consegui trabalhar nessa área acabei por trabalhar onde conheces. No meio dos meus pensamentos rápidos dentro daquela conversa e de alguma emoção, devo ter ficado sem noção do tempo. Ouço a mesma vozinha: - hummm, pois! Mas eu ainda não tenho a minha àgua!!! A rir, servi-lhe o que me pedia mas fiquei a pensar como sem querer e na mais pura das inocências, aquela criança de quem tanto gosto, tocou num ponto fulcral.
O desenvolvimento da vida de cada um de nós. Os gostos muito particulares, os objectivos que pretendemos atingir em determinada altura, o trabalho muitas vezes sobre humano que fazemos, a luta pela concretização de um sonho e … a vida que pode ser “(…) como a brisa suave que precede as tempestades brutais; parece doce mas é amarga, tal como a rosa que atrai com as cores vivas das pétalas e trai com os espinhos que as folhas ocultam.”
Cit. Santos, José Rodrigues; A Vida Num Sopro, p. 68.
Não podia deixar de agradecer publicamente esta oferta da Isabel e do José António ( “ O Caminho do Coração”). É com todo o carinho que recebo este selo e o evidencio, pois têm-me seguido desde que abri o blog e, mais importante que isso, acompanharam-me manifestamente numa fase difícil que passei e que ainda continua a afectar-me. Não me conhecem pessoalmente, mas sempre acreditaram e permaneceram bem perto.
Num tempo em que os casamentos eram feitos por conveniência, podendo mesmo pensar-se em termos negociais, não deixa de ser importante olharmos para a sensibilidade e delicadeza do Ser Humano que escreve para, de alguma forma, suavizar o temor do desconhecido. Neste caso, a receptora destas palavras poderia fazer o seu próprio juízo de valor e, se possível, captar o que de mais sensível existia na pessoa que somente conhecia através de carta e, possivelmente através de pintura.
Numa visita ao Palácio da Ajuda dei comigo a ler estas palavras que achei de uma beleza excepcional:
Fumar charuto era um dos prazeres de D. Luís. Numa das cartas de noivado para D. Maria Pia revelou-lhe este seu hábito.
“ É também necessário que te diga um pouco dos meus gostos e carácter, na medida em que eu próprio os possa conhecer. Sou grande fumador, bom caçador, apaixonado pela música (…) Peço-te no entanto que não me impeças de fumar, é o único vício ao qual me apeguei seriamente. Quando se esteve no mar, quando se viu a morte defronte dos olhos, quando acreditamos que não voltaremos a ver os nossos, o charuto faz a vez de amigo e companheiro, fazendo voar os pensamentos tristes, como o fumo se agita ao vento.”
D. Luís e D. Maria Pia – Ascendentes do Rei D. Carlos (penúltimo rei de Portugal).
Tal como referi no post anterior, a resistência à mudança é uma constante na nossa vida. Contudo, por vezes é necessária.
Foi o que fiz com o meu blog. Já o tenho há alguns anos e nunca lhe havia mudado o aspecto pelas mais variadas razões. Como tudo tem uma história, mantive muitas referências que pertencem ao passado mas que fazem parte de mim. Nunca delas me quereria separar!
Não se assustem portanto quando aqui entrarem. Continuo igual, a aparência é que mudou.
"Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança."
Niccolo Maquiavel
Imagem: Fragmento da pintura a óleo de Vermeer - The view of Delf. Retirada daqui.
Ouço a música, vejo o video clip várias vezes e dou comigo a sorrir e por vezes até a rir. Se prestarmos atenção nada tem que nos provoque o riso, antes pelo contrário. Simplesmente, ao ver e ouvir repetidas vezes, penso: “Será verdade?” Tenho que concordar que é real, tão real que até dói. E, por doer, o sorriso emerge como defesa. Defesa porque visiono as posturas que assumimos sem tão pouco disso termos noção.
" 'Cause it's a bittersweet symphony this life"
Trying to make ends meet, you're a slave to the money then you die"
Não será esta uma realidade actual? Vivemos em plena luta diária pela sobrevivência. A maioria das vezes, deixamos de perceber que, possivelmente, poderíamos caminhar com mais calma porque já temos o que necessitamos. Mas, a correria continua ininterruptamente… até ao dia em que algo acontece e, percebemos que o fim pode estar mesmo ali ao lado… mas, mesmo assim, a vida continua e mais uma vez nos viramos para dentro de nós mesmos. Passamos nas ruas apinhadas de gente, seguindo sempre em frente como se nos tivessem desenhado um segmento de recta por onde temos que correr. Se, por acaso “acordamos”, damos com olhares frios, gélidos, rostos inexpressivos, perfeitos autómatos com os quais de imediato nos identificamos para que… sejamos apenas mais um entre muitos.
Obstáculos? Que é isso? Onde estão? Nem os vimos. Contornamo-los e, na impossibilidade, passamos por cima. Percebemos que o fizemos? Não! Interessa sim o objectivo a ser cumprido, custe o que custar.
"I need to hear some sounds that recognize the pain in me"
Necessidade imperativa e primordial para continuar. Esquecer, empurrar para os primórdios do inconsciente todos os problemas, aflições, traumas, etc, etc, etc que nos perseguem. Só recorrendo a esta defesa podemos continuar inexpressivos por forma a desempenhar os papéis sociais que nos são impostos. Como produto final, encontramo-nos muitas vezes como “autistas”, vazios de senso e conteúdo, de onde, se ainda nos for possível, só saímos quando um estimulo exterior suficientemente forte nos devolve a consciência.
"No change, I can't change, I can't change, I can't change"
É usual a negação à mudança, mais usual do que seria salutar. Mas quero acreditar que esta é sempre possível!
“(…) a cidade não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes.”
Calvino, Italo, As Cidades Invisíveis, p. 14
E nós que a percorremos, quantas vezes olhamos sem ver?!
Ouço uma, duas, três.... perdi a conta das vezes que a ouvi, numa tentativa de interiorizar a sua mensagem. Acho-a bonita e portadora de esperança, mas dou comigo a pensar que nem de tanto a ouvir consigo acreditar nestas palavras. Não fazem eco cá dentro, é como se de alguma forma estivesse bloqueada à sua entrada. Simplesmente rodopiam em meu redor mas… ficam-se por aí.
Verdade seja dita que anjos nunca foram o meu forte. Mas a esperança e a postura aberta a outras oportunidades sempre fizeram parte da minha personalidade..
Não posso considerar que tenha uma vida muito difícil. Há bem piores e seria injusto fazer qualquer equivalência. Contudo, noto o perfeito casulo onde, aos poucos, me fui envolvendo, na direcção proporcional à passagem do tempo. Cada vez mais apertado, cada vez mais escuro, de tal forma que já dei comigo a pensar: “A próxima etapa é não veres um palmo à frente do nariz!!”
Nunca fui, nem sou apologista de vitimização, sei que tenho que quebrar o ciclo. Pergunto-me amiúde: “Como?”
Comecei a escrever sobre outro assunto mas, fruto da companhia musical que escolhi (Gnossiennes,de Eric Satie), surgiu-me a imagem de um programa que, por mero acaso, vi na televisão, mais propriamente aqui.
Comecei a minha viagem pela música clássica desde muito cedo. Na altura, e no meio em que vivia, era considerado estranho uma criança gostar de música clássica (de tal forma que a minha mãe ainda levou algum tempo achando que algo não estava bem com a sua filha…). Foram tempos estranhos em que eu própria me considerei um pouco “marginal”. Felizmente, tive alguém que um dia se lembrou de me dar os parabéns. A partir daí, nada nem ninguém mais me conseguiu tirar este bichinho.
Foi pois com imensa alegria que tive conhecimento do projecto Zéthoven. Ver aqui.
Encantei-me vendo aquelas carinhas e olhinhos fantásticos que vibravam com a expectativa dos saraus, o medo do que podia acontecer aquando da sua actuação e, simultaneamente a alegria estampada naqueles rostos quando tocavam os seus instrumentos.
Com todas as crianças me identifiquei. A menina que tocava violino e que manifestava a necessidade em treinar sozinha no seu quarto sem qualquer interferência dos pais. O menino que na hora da sua apresentação se senta ao piano e toca a sua partitura, aquelas mãozinhas que, ainda pequenas, tendem a ficar quase presas ao teclado e que precisamente pela sua dimensão se posicionam frente às teclas quase na horizontal. As peças tocadas… tão infantis, tão fáceis mas tão bonitas e cheias de sonhos.
Com os meus olhos de hoje, vi o que sentia na altura projectado noutras crianças.
Agradou-me de sobremaneira ver como de há umas décadas para cá as mentalidades se modificaram. Estas crianças, com tão pouca idade, podem dar asas às suas capacidades sem que sejam consideradas diferentes. Podem desenvolver-se e evoluir através da música, bem como abrir os seus horizontes a outras realidades que tão necessárias são para um crescimento harmonioso.
Felizmente, ainda se fazem histórias de encantar!!
É sabida a necessidade de estimulação do Ser Humano no prosseguimento de determinada tarefa. Neste âmbito, foram feitos estudos que comprovam a tendência de evoluir cada vez mais. Como exemplo, quem tirou um curso superior, em princípio, terá mais probabilidades de continuar a sua aprendizagem usando como veículo a frequência e conclusão de outros cursos para que se sinta vocacionado. O mesmo “caminho” não tenderá a ser percorrido por quem nunca teve essa experiência. Quanto a mim, não será de estranhar visto sermos animais de hábitos, por mais que não o queiramos admitir.
Este blog começou como uma forma de não perder a “corrida” a nível de escrita, uma vez que era sabida a cada vez menor necessidade de utilização desta linguagem. Os conhecimentos adquiridos serviram-me para muito, sem dúvida, mas a vida, essa, costuma dar voltas para as quais por vezes não estamos preparados. E, quando tal acontece, mais não podemos fazer senão as necessárias adaptações. Estas, obrigam a estratégias, sendo que, essas sim, variam em todos nós.
Hoje, dei comigo olhando para este blog e pensando quantas foram as pessoas que por aqui passaram. Umas mais que outras, mas todas elas foram importantes. Posso até considerar que fui coleccionando amizades. Poucas, é certo, mas muito significativas!! Percorrendo a lista que aqui tenho descobri que alguns dos blogues já nem existem… com esta descoberta, admito que a estratégia que escolhi (ausência) foi longa. Talvez longa demais!
Um dia, uma das amigasque por aqui deixa sempre uma palavra, disse-me perante a minha predisposição em não usar este canto para deixar correr lágrimas: “Já pensaste que ao usares os teus percursos de vida, podes ajudar alguém que te leia?” Achei que a razão estava do seu lado, mas… continuei afastada de tudo e de todos.
Penso que chegou a vez da mudança. Talvez começar por actualizar o que for necessário, escrever com alguma assiduidade… não sei qual, mas alguma, embora saiba que ainda existirão tempos de inacção. Os conteúdos? Não sei quais, mas terei com certeza em atenção o que me foi dito!
De espaço em espaço, lendo aqui e ali, por vezes temos a alegria de encontrar aquilo que não conseguimos traduzir por palavras nossas nas palavras dos outros. Quando tal acontece, todo o sentimento que nos acompanha toma forma e conteúdo.
FLUIR
A música ainda soa na sala
onde fluiu um tempo distinto
e as marcas dos sons
permanecem
intrépidas, intrépidos
e onde eu me encontro
ainda e agora
o som da música
rompe o silêncio.
Tenho pois que agradecer a Paula Raposodo blog "Por ti... com os meus olhos.", autora deste poema que tanto significado tem para mim.