sábado, maio 26, 2007

Simbiose


Saiu de casa e em passo rápido tomou o caminho da praia. O vento forte alimentava-lhe a força. Afinal, haviam tantas coisas mais fortes e devastadoras … não era a natureza que a ia impedir de fazer fosse o que fosse.
O som do mar começava a fazer-se ouvir cada vez mais forte à medida que se aproximava. Avistando as ondas, deixou-se ficar, sentindo o ar forte e salgado. Mas, não chegava!
Desceu as escadas e entrou na praia vazia dirigindo-se para a rebentação.
Tantas perguntas a fervilhar… tantos sentimentos numa amálgama!
Caminhou até sentir a água . Precisava de sentir aquela força, precisava de sentir o frio, a espuma a saltar e a molhar-lhe a face quente!
Sabia que não valeria a pena entrar e deixar-se levar. Passada a rebentação nada mais teria que fazer senão nadar. Aí não havia nada com que lutar, quanto muito ficaria passivamente ao sabor da vaga…
De olhos no horizonte, ali ficou sentindo a espuma a desfazer-se, ouvindo o som possante das ondas a rebentarem em si.
As incertezas não desapareceram, as perguntas não deixaram de existir, mas era como se houvesse uma simbiose entre a sua fúria e a do mar. Finalmente, encontrara uma luta de igual para igual…
Foto retirada de: 1000 Imagens, Autor: Sérgio Pinto.

quinta-feira, maio 24, 2007

Divagando

Quando o pensamento divaga pelos meandros da vida e não se encontram palavras que possam descrever o sentimento, descobrimos sempre um espelho...
Um ritmo perdido...

Se uma pausa não é fim
e silêncio nâo é ausência,
se um ramo partido não mata uma árvore,
um amor que é perdido,será acabado?

um ouvido que escuta
uma alma que espera...
-uma onda desfeita
É ou já não era?

Nuvem solitária,
silenciosa e breve,
nuvem transparente,
desenho etéreo de anjo distraído...

nuvem,
esquecida em céu de esperança,
forma irreal de sonho interrompido..

nuvem,
luz e sombra,
forma e movimento,
fantasia breve de ânsia de infinito...

nuvem que foste
e já não és: desejo formulado e incompreendido
Ana Harherly

segunda-feira, maio 21, 2007

Horas passadas...

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa, 1934


Poderia ter falado sobre este tema de Fernando Pessoa com quem dizia que nada entendia de poesia. Sei que a “conversa” poderia ter grandes desenvolvimentos. Afinal, tanto que há para falar de tudo quanto é subjectivo!

Tal como muito “discuti” sobre música, toda ela!
Piano era o instrumento preferido. Conheci quase a fundo e voltei a ouvir vários compositores, desde clássicos a contemporâneos.

Aprendi muito sobre tudo, no verdadeiro sentido da palavra!

Devo isso a alguém de uma grande coragem e sensibilidade e que foi não só, um grande Amigo como também um Professor. Este último “título” que lhe atribuí não era do seu agrado e chegou a ser alvo de brincadeiras, mas… a verdade tem que ser dita!!!

Apesar da alma de outrem poder ser outro universo, há sempre possibilidade de partilha.

terça-feira, maio 15, 2007

Para um Amigo!

Ao S. (estejas onde estiveres!)
Um abraço AMIGÃO!
Deixo-te a música que tanto gostavas!

quinta-feira, maio 10, 2007

The dance of life

Edvard Munch - The Dance of Life
A vida tem todas estas cores e movimentos. Mas também tem paragens para pensar ou, simplesmente esperar...
PS: Por falta de tempo é-me impossível passar pelos espaços dos que aqui têm deixado a sua mensagem. Desde já deixo o meu agradecimento não só a esses como também aos que passam embora não se pronunciem. Obrigado a todos!

quarta-feira, abril 25, 2007

O dia seguinte.




26 de Abril de 1974!

Um dia de escola igual a todos os outros!
De manhã, pela rua íngreme várias crianças subiam para mais um dia das suas vidas. Não sabiam no entanto que as esperava um dia de férias.
Chegadas ao espaço que todos os dias as recolhia, um ambiente estranho iriam perceber.

Ao entrar no átrio da sua habitual salinha, alguém diz: “A professora está em cima da cadeira a tirar umas coisas da parede!!!!!” Atónitas, olhamos umas para as outras!!! Já era estranho ainda nos ser permitido continuar na brincadeira quanto mais a professora estar em cima da cadeira… mas a curiosidade deu força às mais corajosas que se começaram a aproximar da porta da sala.
Várias cabecinhas espreitavam para ver o que se estava a passar dentro da sua sala… aparentemente, a professora e auxiliar não se aperceberam das presenças… atónitas, víamos as habituais e enormes fotografias que nos acompanhavam por cima do quadro negro, serem despojadas dos seus lugares de destaque!



Opssss!!! Vimos o que não devíamos ter visto!!! De imediato fomos devidamente encaminhadas para o recreio de novo. Passado algum tempo, fomos informadas que deveríamos ir para casa. Não haveria escola nesse dia!!!
No dia seguinte, foi estranho olhar para a frente e ver somente um grande crucifixo naquela parede enorme. Alguém ainda perguntou porque tinham sido retiradas as fotografias. Como resposta, obtivemos algo parecido com “Já não interessam!”

A primeira mudança sentida por quem era criança na altura, vivia fora de Lisboa e, felizmente, não tinha sofrido a ausência de ninguém aquando do antigo regime.

Fotografias: Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico de Lagos.

sábado, abril 21, 2007

Imagens


Da janela aberta entram som, luz e toda a vista que lhe é permitida.
Deambulando pela casa e abrindo caixas e mais caixas, vai retirando objectos…todos têm a sua história, um passado e agora um presente. Sem pressa retira um a um, lembrando o significado de cada um deles.
Silenciosamente, vai embelezando o que antes era vazio e sem vida.
Sem se aperceber, começa a ouvir os sons provenientes do espaço que a rodeia. Não são os mais agradáveis. Apitos, uma travagem forçada, o vizinho que sai e bate com a porta, o som do elevador subindo e a espera anunciada da mais que provável descida…mas não importa. O que outrora foi desagradável passou a fazer parte do que era desejado.
Cai a noite! Olha pela janela e as luzes da cidade já lhe dão outra aparência. Tudo acalmou… uma nova vida emerge!
Perante a vista que lhe é proporcionada, sorri! Aquelas são as suas imagens preferidas, as formas delineadas pelas luzes direccionadas trazem-lhe à memória imagens de um passado que gosta de lembrar…
Imagem retirada da net

domingo, abril 15, 2007

EU... por vezes!

Folheando alguns dos livros em tempos lidos, descobri um excerto que, hoje, achei particularmente relevante:


"Eu quero dormir e não consigo. (...) Eu quero partir e fico. Eu quero morrer e vivo. Eu quero viver e morro devagarinho. Eu quero acordar e durmo. (...) Eu fumo e apetece-me fumar. Eu fumo e não me apetece fumar. Eu falo quando quero estar calado. Eu estou em silêncio quando quero falar. Eu transpiro e está frio. Eu quero amar e não posso. Eu não tenho ar para respirar e no entanto parece que estou vivo. O tempo passa mas eu quero que ele corra e ele não corre. Eu quero paz e tenho guerra. Eu estou na guerra. (...) Choro a rir. Eu quero rir e não consigo. Eu quero ler e as letras desfazem-se em pedaços à minha frente. Eu quero um livro que não existe. (...) Eu fecho os olhos e continuo a ver. Eu abro os olhos e não vejo nada. Eu (...) "

Duarte, Pedro Rolo, in "Sózinho em casa", Oficina do Livro, 2002, pp. 125,126.

(Wim Mertens, Partes extra partes, Al.)

segunda-feira, abril 09, 2007

Recordações

Ai que ninguém volta
Ao que já deixou
Ninguém larga a grande roda
Ninguém sabe onde andou
...
Ai que ninguém lembra
Nem o que sonhou
...
Excerto de "O Pastor", Madredeus, Album: O Espírito da Paz
Algures, um dia, falava com alguém sobre o passado, o nosso passado. O que podíamos ter sido mas não fomos, o que podíamos ter seguido mas não seguimos… chegámos à conclusão de que o que passou, passou e, nem podemos saber o que poderia ter sido se … então, a solução será olhar em frente e seguir!

Desse momento específico nessa praia já só tenho uma ideia. Interrogo-me como conseguia eu fazer a caminhada imensa para lá chegar e voltar, considerando que são uns bons Quilómetros e não havia carro para ninguém (nem idade para isso tínhamos). O que é facto é que era uma delícia ir para a praia no Inverno, o tempo para estudar variava em função dos passeios e não só, tínhamos os sonhos do mundo dentro de nós, crescemos, vivemos, aprendemos!
Hoje e apesar de tudo, penso que não voltaria atrás!
(Lacrimosa [Claudio Abbado])


In the quiet of the night
Let our candle always burn
Let us never lose the lessons we have learned

Queen - Teo Torriate (excerto)

quarta-feira, abril 04, 2007

...


Uma óptima Páscoa para todos!

domingo, março 25, 2007

Fragmentos


Tempos diferentes, palavras diferentes, pessoas diferentes. A mensagem é a mesma!!!
Em conversa dizia-me alguém… “ A sensação que tenho é que nos mentiram acerca do mundo do trabalho…”
“ I feel like no-one ever told the truth to me About growing up and what a struggle it would be…” (Too much love will kill you, Freddie Mercury)
O Mundo Completo (excerto)
Estes gestos de vento,
estas palavras duras como a noite,
estes silêncios falsos,
estes olhares de raiva a apertarem as mãos,
estas sombras de ódio a morderem os lábios,
estes corpos marcados pelas unhas!. . .

Esta ternura inventando desejos na distância,
esta lembrança a projectar caminhos,
este cansaço a retratar as horas!...
(...)

António Rebordão Navarro
Figura: Quadro de Pablo Pisasso

segunda-feira, março 19, 2007

Será verdade?????



Este foi o ponto de interrogação que emergiu quando, sem esperar, dou com esta notícia no DN Online.

"O Estado português não assume o pagamento das urgências hospitalares quando os pacientes são vítimas de violência. Nos casos em que não é apresentada queixa, ou em que não fica provada a culpa do agressor, a despesa é assumida pela vítima, o que faz com que esta pague de 14 a 17 vezes mais do que o paciente comum. Uma situação que pode, no limite, inibir o agredido de ser visto por um médico. Num caso de que a agência Lusa teve conhecimento há cerca de duas semanas, Filomena Ferreira dirigiu-se, com uma familiar que havia sido vítima de violência doméstica, às urgências do Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Contudo, quando se preparava para fazer a inscrição da vítima, foi alertada por uma funcionária para o facto de "sendo um caso de agressão, existir, além da taxa moderadora de 7,5 euros, um outro valor associado à consulta". Este valor, que ascende a 106 euros, deve ser pago pelo agressor ao hospital, embora - se a vítima não apresentar queixa ou o agressor for absolvido - recaia na pessoa agredida.Face a este cenário, a vítima optou por voltar para casa, "apesar das contusões no pescoço e das nódoas negras nas pernas, para que não fosse imputada ao marido uma despesa que ainda é elevada para a sua situação económica" (...) "Renato Nunes, médico do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) - que reúne os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta e Estefânia - esclareceu a existência do valor cobrado ao agressor e explicou que "em caso de doença natural, o utente paga a taxa moderadora do episódio de urgência, que num hospital central é de 8,5 euros [7,5, num distrital] e o Estado encarrega-se do valor do episódio de urgência em si, que num hospital central está fixado em 143,5 euros" contra 106 num distrital.Contactado pelo DN, João Lázaro, secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, disse que "a regra faz sentido, para prevenir situações de fraude, mas não deve ser aplicada em situações de violência doméstica", em que as vítimas se encontram num estado de grande fragilidade. "

O resto da notícia, para que todos possam ver e tirar as próprias conclusões encontra-se em: http://dn.sapo.pt/2007/03/18/sociedade/hospitais_mais_caros_para_vitimas_ag.html

Falo só por mim para que fique claro que não estou a fazer qualquer crítica ao que foi dito pelas pessoas citadas e entrevistadas, nem esse é tão pouco o meu interesse.

No entanto e tendo que acreditar que a notícia está isenta, é legitimo perguntar o que se anda a fazer neste país?

Deveriamos saber que qualquer vítima de violência doméstica tem enormes dificuldades em ir a um hospital para ser tratada, precisamente pela situação em que se encontra. Associando a isso, a fragilidade em que se encontra a própria pessoa e ainda o medo da possível descoberta, já para não falar na grande ambivalência psicológica a que estas pessoas estão submetidas. Deveríamo, digo bem, mas então como é possível a aplicação desta "taxa" ? Será "reprimenda" por ser vítima de maus tratos? Terei lido correctamente???

É que para quem já teve que queimar pestanas a ler sobre este flagelo e que ainda por cima já presenciou, neste mesmo hospital, à entrada de uma mulher em perfeito estado de choque pelos maus tratos que lhe foram conferidos, acumulando com a infelicidade (ou será felicidade?) de saber que o número de vítimas mortais está a aumentar, ler uma coisa destas é, no mínimo assustador!!!

Então como podemos nós tratar estes casos se, à partida, já estão a ser devidamente"seleccionados"? Será que não sabemos dos riscos que corre uma mulher de ser agredida novamente, se o agressor souber que teve que se dirigir ao hospital para receber tratamento médico? Não pensamos ainda no MEDO em que estas mulheres vivem constantemente? É desta forma que se incentiva à queixa policial???

Prefiro pensar que li mal e estou a interpretar erradamente os factos, pois se assim não fôr, então estamos a caminhar do mau para o péssimo!!

domingo, março 11, 2007

Um espelho de água.

Cabo de São Vicente, Sagres, Algarve

Sonhar como quem sonha sempre navegar

...

Ao longe, a barca louca perde o norte,

...

Um espelho de água,

A vida a navegar por entre

o sonho e a mágoa

...

Excertos de "O Mar e Tu", Andrea Bocelli & Dulce Pontes

***

Sonhei que sobrevoava águas com estas cores.
Disseram-me que eram o meu EU interior.

Tão belo este mar, pela sua profundidade e imponência!
Foram tantas as vezes que o vi, tantas as vezes que o ouvi, tantas as vezes que o senti … acompanhada pelos ventos fustigantes!

A onda que bate estrondosamente nas escarpas deixando subir a sua espuma salgada … o som grave do impacto, a entrada desta massa aquosa pelas cavidades rochosas, provocando uma força tal que aquilo que era água emerge quase em vapor… o azul que passa a verde e imediatamente se transforma em branco… um barco muito ao longe mesmo em dias de alguma tempestade…

Que não ouvi e devia ter ouvido?
Que não vi e devia ter visto?
Que não senti e devia ter sentido?

Questões, quem não as tem? Respostas… talvez um dia!


terça-feira, fevereiro 27, 2007

Reflexão

Todos nós temos uma carga genética que nos dá as mais variadas hipóteses ao longo da vida. O mundo que nos rodeia pode influenciar de sobremaneira as escolhas posteriormente feitas, no entanto, a essência de cada um de nós permanece inalterada. Poderão existir alturas em que, pelas mais variadas razões, nos afastamos de nós próprios, só que e lembrando palavras que me foram endereçadas, cada um de nós pode, em determinada altura, ser o farol para o despertar do que estava “esquecido”… Com a ajuda especial de um grande AMIGO e as palavras sábias de outros, pude descobrir de novo a tão grande divergência de linguagens que nos podem ser queridas e que fazem emergir a “Força” para perceber que afinal não estamos assim tão sós. Mesmo os que já não estão entre nós, nos deixaram legados impressionantes, dos quais podemos retirar tanta informação!




A Música, seja ela qual for, dependentemente de cada um de nós, é de uma riqueza impressionante, onde se pode descobrir os mais diversos sentimentos e, porque não ensinamentos?? As diferentes formas de tocar, as diferentes formas de escrever através de uma linguagem que pode não ser acessível à maioria de nós, mas que traduzida por quem sabe, nos pode proporcionar descobertas explêndidas.


A Escrita, poética ou não, proporciona não só vastos conhecimentos como também uma boa forma de nos deixarmos levar para um mundo “encantado” oriundo de outra mente. Identificando-nos ou não, é mais uma porta aberta ao outro e a nós mesmos…



Saint-Paul Hospital, Van Gogh




segunda-feira, fevereiro 26, 2007

... ... ...


O ar frio e salgado. O silêncio da noite, como bom parceiro para quem se habituou à solidão. A penumbra que reflecte o “estado de alma” … perguntas lançadas ao ar, na esperança de que o reflexo do mar traga o eco como resposta!

O ar frio e salgado,
O silêncio da noite,
A penumbra,
E o reflexo brilhante que somente revela a sua beleza.
As respostas… essas, não são reveladas…

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Ilusão


Quem não se lembra de alguém lhe ter dito que ouvia o barulho do mar se escutasse através de um búzio? Quem não se lembra de fazer a experiência e… de facto ouvir o mar através de algo que dele provêm. Quem já fez este gesto, fê-lo com certeza em criança, criando a ilusão errada mas mágica de que o que ouvia era o mar!
Uma grande parte de nós ainda repete este movimento embora com consciência de que é o próprio cérebro que lhe irá dar a ouvir aquilo que há muito lhe foi transmitido.
No entanto e embora ilusão, quem não gosta de dar esse prazer a uma criança face à felicidade da nova descoberta?
Um dia a descoberta será desmistificada, mas a magia continuará!
«As ilusões», dizia-me o meu amigo, «talvez sejam em tão grande número quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o facto tal como existe fora de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele complicada pela lástima da fantasia desaparecida, metade pela surpresa agradável diante da novidade, diante do facto real».
Charles Baudelaire, in 'Pequenos Poemas em Prosa'
" O Citador"
" A menina e o búzio", Pastel de óleo, Alexandra, 19...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O Perfume!

Em conversa com um amigo sobre “O Perfume”, tendo ele visto o filme e eu lido o livro, surge a pergunta bastante significativa, quanto a mim!


“ Que tipo de mente inventa uma história destas?”


Do que pesquisei deixo alguns excertos:



O Perfume é um romance escrito pelo escritor
alemão Patrick Süskind e publicado pela primeira vez em 1985. O título original alemão é Das Parfum, die Geschichte eines Mörders, "O Perfume, História de um assassino".

A história situa-se no
século XVIII, em Paris, depois em Auvergne, em Montpellier, em Grasse e finalmente retorna a Paris. O protagonista, Jean-Baptiste Grenouille, nasceu no meio de tripas de peixe atrás de uma banca, onde a mãe, que algumas semanas depois foi executada por infanticídios, vendia peixe. Grenouille possui duas características excepcionais:

Ele não tem cheiro nenhum, o que assusta sua ama e as crianças com quem ele vive no orfanato, mas que permite que ele passe totalmente despercebido. Durante a história, essa ausência de odor, de que ele se dá conta somente bem mais tarde, será compensada pela criação de perfumes mais ou menos atraentes, que Grenouille utiliza de acordo com as circunstâncias a fim de ser notado pelos outros.


Ele tem um olfato extremamente desenvolvido, o que lhe permite reconhecer os odores mais imperceptíveis. Conseguia cheirá–los por mais longe que estivessem e armazenava–os todos no seu nariz. Esse olfato é sua única fonte de alegria, que ele aproveita para confeccionar, sem a mínima experiência, perfumes de qualidade excepcional.


Durante a sua vida teve vários acidentes e doenças, trabalhou como aprendiz de curtidor de peles e depois como aprendiz de perfumista e, graças às suas características, enquanto foi aprendiz de perfumista aprendeu várias técnicas para a criação de um perfume.
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente de todos os outros milhares de perfumes que ele guardava na memória, e acabará por matá-la, com as suas próprias mãos, de tanto desejar apoderar-se do seu odor.

A acção divide-se entre o mundo dos perfumes, traduzido pelo título "O Perfume", que servem para encobrir o mundo dos fedores, dos crimes e da hipocrisia que caracterizam a cidade de Paris no século XVIII.
Foi adaptado ao cinema em 2006.

Do autor deste romance, podemos dizer que nasceu em Ambach am Starnberger See, perto de
München na Alemanha. Filho do escritor e jornalista,W. E. Süskid. Estudou história Moderna e Medieval na Universidade de Munique e em Aix-en-Provence de 1968-1974. Nos anos oitenta, Süskind trabalhou como escritor, para "Kir Royal", "Monaco Franze" e outros. Ele é o autor do internacionalmente aclamado best-seller "O Perfume: história de um assassino" de 1985 (romance). É também autor de "The Double Bass" de 1980 (teatro), "The Pigeon" de 1988 (novela), "The Story of Mr. Sommer" de 1991 (conto ilustrado por Sempé) e "Three Stories and a Reflection" de 1996 (contos).
Patrick Süskind vive em
Ambach, Alemanha, raramente dá entrevistas ou aparece em público, preferindo levar uma vida isolada.

Face ao conteúdo deste romance, ponho a hipótese do autor ter feito um estudo sobre características e distúrbios de personalidade e, conseguir desta forma uma personagem baseada em conhecimentos cientificos. De acrescer ainda o factor da sua própria formação académica que lhe possibilita ter uma perspectiva bastante fiel dos cenários que descreve.

Considerando que o livro está escrito de uma forma tal que durante a sua leitura estamos constantemente a ser levados, eu diria, para o interior das cenas que são descritas e, perante o próprio comportamento “pouco social” do autor, poderia supor que ou estamos perante um génio, ou a sua própria personalidade contribuiu de forma bastante activa para a criação desta personagem.

De salientar que não pretendo colocar a saúde mental do autor em causa, mas sim dar ênfase a esta sua obra que, de facto, em termos de qualidade de escrita e riqueza de conteúdos é incomparável!

Para finalizar, indico um vídeo sobre a composição da excelente banda sonora do filme, de autoria do Maestro Simon Rattle.

Um muito obrigado ao PC !

sábado, fevereiro 10, 2007

Pintura de Noronha da Costa
"Sempre que uma mente se abre a uma ideia nova, nunca mais volta ao estado inicial"
Einstein

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Sonho/ Realidade

Salvador Dali, O sonho
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(Álvaro de Campos)

sábado, fevereiro 03, 2007

There had to be ...



Na cortina fechada projectam-se as linhas da janela. Dessa mesma janela que faz a separação/união entre passado e presente... acontecimentos, sentimentos, sensações... alegria, tristeza...

Lamentos a nada levam, o passado não é mais que isso mesmo. Dele retira-se a aprendizagem necessária para viver o presente e acreditar ...

..............

How could I stay

How could I breathe

There had to be more for me

Promises gone

(...)

I cannot run

I cannot hide

It came with me locked inside

(...)

Excerto de:

Breakdown, Melissa Etheridge