Um breve post a meio das férias.
Beijos e abraços :)
Foto: Alexandra
Este é um espaço livre, onde todo o tipo de escrita pode nascer. Palavras dispersas; Poemas (não meus, mas de quem considero digno desse nome);Pensamentos; Textos onde esboço a minha opinião sobre assuntos mais pertinentes ou problemáticos desta sociedade, etc, etc, etc...
Sonhos e segredos que habitam em cada um de nós...
Tenham uma óptima semana!
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Tradução razoável.
«Não somos nómadas isolados... "Não há terra da promissão fora do corpo da palavra", escreve Eugénio de Andrade. Se não há um TU não há um EU. A palavra há-de circular, há-de partilhar-se como um eco que responde a outro eco...»
Palavras de Maria João Seixas ao livro LUZ DESARMADA, de José Augusto Mourão.
Estas pequenas/grandes palavras fazem lembrar a comunicação cultural naturalmente feita entre gerações. Porque há um TU e porque há um EU, o eco vai sempre tendo resposta, transmitida ao longo do tempo.
Bom fim de semana!
Imagem: La promenade, Renoir.
Bolero de Ravel. Magnífico!
O corpo como veículo de transmissão de tão bela melodia através do bailarino Jorge Donn. Encantador!
A última parte do filme Les Uns Et Les Outres, aqui reproduzida e coreografada por Maurice Bejart.
Uma das imagens jamais esquecidas pela sua beleza, não obstante ter visto o filme há já vários anos.
Depois de algum tempo percorrendo o mundo da blogosfera, começamos a dar-nos conta de que, como seres comunicantes que somos, este é mais um meio que está ao nosso dispôr para estabelecer "contactos".
Todos comunicamos da forma que mais fácil se torna para cada um. Uns escrevendo textos mais profundos, outros menos, usando a poesia ou a prosa, fazendo textos de ficção ou, por vezes, usando o próprio material psicológico para construir um texto com algum fundo de verdade para o próprio, sendo que a ficção se pode enquadrar também neste último contexto. Muitos de nós usam ainda o meio visual com ou sem palavras... no fundo, a maioria das vezes, damo-nos conta de que somos, ou podemos ser, o espelho uns dos outros.
Contudo, para que exista de facto a comunicação desejada, é necessário que exista reacção da outra parte.
Um dia, ofereceu-me uma amiga minha um livrinho, muito pequenino e simples, mas muito lindo. Pensando nele e no assunto que atrás expus, resolvi deixar um excerto, que penso ser característica de todos nós.
"A comunicação não começa
com ambas as pessoas a falar
ao mesmo tempo.
O primeiro gesto
Tem de partir de uma delas
Alguém tem de atirar a primeira bola."
Contextos reais, ficções, estrutura poética, prosa, etc, etc, etc, cada um atira a sua bola. O resto, a verdadeira comunicação, vem a seguir!
Obs: Mamoru Itoh, " Quero falar-te dos meus sentimentos", Entre Letras Editora, 2ª. edição.
Disse-me quem viu, que Maria João Pires tinha a característica de "pairar" enquanto tocava quando comparada com outros pianistas. Descobri que assim era de tanto a ouvir/ver a ela e a outros que me foram oferecidos por quem tinha tanta sabedoria!
"Embrulhem-se" porque é LINDO!
Manhã muito cedo, entrada no barco. Barco? Bote! Para usar a terminologia natural da zona. O sol queima mas o motor que empurra a embarcação não dá tempo a que se sinta o calor. A água que salpica e atinge quem lá vai causa arrepios.
Saída do molhe e surgem praias salpicadas ao longo da costa. Do outro lado, o horizonte por companhia. Mãos que experimentam a temperatura da água... fria, quente? Quente nunca poderia ser, mas a esperança da temperatura amena não se perde!
Os minutos passam, a viagem continua. O vento é pouco, a corrente não é muito forte e a chegada é rápida. Necessária a manobra para entrada na enseada. Há que ter cuidado com as rochas que parecem profundas mas, enganam. Confiança acima de tudo porque o "marinheiro" sabe o que faz!
Finalmente a fateixa é lançada e a embarcação fica presa.
Em redor nada mais que água e rocha. Lá no alto, o céu azul. O grito das gaivotas zangadas com tão inoportunas visitas. O sol que entra pelos rasgos do tempo na natureza, incide sobre a água fazendo reflexos nas paredes rochosas e inundando de luz as mais variadas zonas de água límpida, deixando ver o fundo!
Não há água fria que seja superior à vontade de nadar no meio daquela coloração natural. À caída à água, um choque térmico que provoca gritos. O eco faz-se ouvir e, de repente, é-nos devolvida a nossa própria voz.
Sonho? Realidade? Um pouco das duas coisas para quem pôde usufruir destas belezas naturais!
O vento norte faz-se sentir! É tempo de voltar a terra. No caminho, a espuma do mar beija os corpos já cansados mas felizes...
Fotografia: Alexandra, Ponta da Piedade, Lagos, Algarve.
" Na Holanda, empenhou-se de alma e coração em tornar-se um pintor camponês (...)« Vou passar despercebido pois estou com tamancos calçados», comentou ele,e: «Temos que arriscar tudo na arte.» Para se enquadrar no meio das figuras esqueléticas que povoavam as suas vizinhanças, passou a andar desleixado, a dormir em cima de palha e a contentar-se com côdeas de pão. «Ao dizer que sou um pintor camponês, estou a falar num sentido literal», assegurou ele a Theo (Carta 400)".
Gogh, Van, Obra Completa de Pintura, Ingo F. Walther, Reine Metzger, Taschen Edit.
Comentário de Dona-Redonda:
Comentário de M. José, "Além do horizonte".
"E entre prados, suaves, pacientes,surge a pálida faixa dum caminho, deitado ali como longo coradouro."
Livro: Poemas - As elegias de Duino e sonetos a orfeu(R. M. Rilke)Prefácio,selecão e tradução de Mº Quintela)- O oiro do dia - set1983.
Além do horizonte ( http://alem-do-horizonte.blogs.sapo.pt/ )
Caminhos dos Contos ( http://caminhodoscontos.blogspot.com/)
Dona-Redonda ( http://dona-redonda.blogspot.com/ )
Pedro Arunca ( http://pedroarunca.blogspot.com/ )
Selos Difusos ( http://selosdifusos.blogspot.com/ )
Tempos houve em que procurava música atrás de música anteriormente aconselhada. Não descansava enquanto não encontrava o que queria. Posteriormente ouvia e "discutia" entre outras coisas tempos, minuto a minuto, segundo a segundo...
Hoje, olho somente para os escaparates. Não procuro nada em especial, limito-me a varrer com o olhar o que diante de mim se apresenta. Se algo me despertar a atenção, visiono com mais cuidado. Compro ou não, muitas vezes conforme a disposição e/ou disponibilidade.
Perguntei a alguém um dia porque ouvia esta ou aquela música se lhe trazia imagens mais marcantes e pouco apaziguadoras. A resposta foi algo do género: Doi ouvir mas, são lindas!!
Correndo o olhar por um escaparate de música algo me despertou a atenção. Verifiquei e comprei. Quando o ouvi em casa, percebi através do mar dos olhos, o porquê da resposta que me tinha sido dada.
Doi ouvir, mas ... apesar das lembranças poderem magoar, surgem também sensações de saudade mas com um sabor agradável. Palavras que foram ditas, alegrias transmidas, percepções da mesma realidade... sensações que não voltam mas que ficam para sempre guardadas!
"Em arte, procurar não significa nada. O que importa é encontrar."
Picasso , Pablo
Como alguém me dizia... "embrulhem-se" na musica e na pintura. Depois, ENCONTREM o que para vós é importante.
BOM FIM DE SEMANA!
Musica: Wim Mertens, album: Partes extra partes.
Imagem: Manet, Woman Reading
Por termos escrito sobre o ritmo desta musica, não resisti à tentação de mandar este video, dizendo que não sabia como era possível conseguirem fazer tanto barulho perante algo tão belo. Respondeste por escriro e sorrindo (porque na escrita também se pode sorrir: É lindo, mas és muito intolerante.
Sorri e pensei: "apanhaste-me!"
Respondi que nem sempre o era mas que nestas condições tinha que reconhecer esse facto.
Daí nasceram toda uma panóplia de considerações sobre tolerância/intolerância... mais uma aprendizagem!!!
Não é tempo de dizer ADEUS, é sim, tempo de dizer ATÉ SEMPRE!
Branco puro;
Azul cobalto;
Mar profundo;
Mãe;
Criança;
Procura;
Encontro;
Cruz de Cristo;
Divagação;
"A ciência sem a religião é coxa, a religião sem a ciência é cega", Albert Einstein.
NOTA: A citação( www.citador.pt) aqui colocada faz parte da associação livre.
Imagem retirada da net.
... ... ...
Porque alguém me relembrou a arte de voar:
http://www.youtube.com/watch?v=90MuPqYtV_k
Foto retirada de Olhares.com; Autor: António Lança
Fotografias: Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico de Lagos.
Duarte, Pedro Rolo, in "Sózinho em casa", Oficina do Livro, 2002, pp. 125,126.
(Wim Mertens, Partes extra partes, Al.)
Este foi o ponto de interrogação que emergiu quando, sem esperar, dou com esta notícia no DN Online.
"O Estado português não assume o pagamento das urgências hospitalares quando os pacientes são vítimas de violência. Nos casos em que não é apresentada queixa, ou em que não fica provada a culpa do agressor, a despesa é assumida pela vítima, o que faz com que esta pague de 14 a 17 vezes mais do que o paciente comum. Uma situação que pode, no limite, inibir o agredido de ser visto por um médico. Num caso de que a agência Lusa teve conhecimento há cerca de duas semanas, Filomena Ferreira dirigiu-se, com uma familiar que havia sido vítima de violência doméstica, às urgências do Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Contudo, quando se preparava para fazer a inscrição da vítima, foi alertada por uma funcionária para o facto de "sendo um caso de agressão, existir, além da taxa moderadora de 7,5 euros, um outro valor associado à consulta". Este valor, que ascende a 106 euros, deve ser pago pelo agressor ao hospital, embora - se a vítima não apresentar queixa ou o agressor for absolvido - recaia na pessoa agredida.Face a este cenário, a vítima optou por voltar para casa, "apesar das contusões no pescoço e das nódoas negras nas pernas, para que não fosse imputada ao marido uma despesa que ainda é elevada para a sua situação económica" (...) "Renato Nunes, médico do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) - que reúne os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta e Estefânia - esclareceu a existência do valor cobrado ao agressor e explicou que "em caso de doença natural, o utente paga a taxa moderadora do episódio de urgência, que num hospital central é de 8,5 euros [7,5, num distrital] e o Estado encarrega-se do valor do episódio de urgência em si, que num hospital central está fixado em 143,5 euros" contra 106 num distrital.Contactado pelo DN, João Lázaro, secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, disse que "a regra faz sentido, para prevenir situações de fraude, mas não deve ser aplicada em situações de violência doméstica", em que as vítimas se encontram num estado de grande fragilidade. "
O resto da notícia, para que todos possam ver e tirar as próprias conclusões encontra-se em: http://dn.sapo.pt/2007/03/18/sociedade/hospitais_mais_caros_para_vitimas_ag.html
Falo só por mim para que fique claro que não estou a fazer qualquer crítica ao que foi dito pelas pessoas citadas e entrevistadas, nem esse é tão pouco o meu interesse.
No entanto e tendo que acreditar que a notícia está isenta, é legitimo perguntar o que se anda a fazer neste país?
Deveriamos saber que qualquer vítima de violência doméstica tem enormes dificuldades em ir a um hospital para ser tratada, precisamente pela situação em que se encontra. Associando a isso, a fragilidade em que se encontra a própria pessoa e ainda o medo da possível descoberta, já para não falar na grande ambivalência psicológica a que estas pessoas estão submetidas. Deveríamo, digo bem, mas então como é possível a aplicação desta "taxa" ? Será "reprimenda" por ser vítima de maus tratos? Terei lido correctamente???
É que para quem já teve que queimar pestanas a ler sobre este flagelo e que ainda por cima já presenciou, neste mesmo hospital, à entrada de uma mulher em perfeito estado de choque pelos maus tratos que lhe foram conferidos, acumulando com a infelicidade (ou será felicidade?) de saber que o número de vítimas mortais está a aumentar, ler uma coisa destas é, no mínimo assustador!!!
Então como podemos nós tratar estes casos se, à partida, já estão a ser devidamente"seleccionados"? Será que não sabemos dos riscos que corre uma mulher de ser agredida novamente, se o agressor souber que teve que se dirigir ao hospital para receber tratamento médico? Não pensamos ainda no MEDO em que estas mulheres vivem constantemente? É desta forma que se incentiva à queixa policial???
Prefiro pensar que li mal e estou a interpretar erradamente os factos, pois se assim não fôr, então estamos a caminhar do mau para o péssimo!!
Sonhar como quem sonha sempre navegar
...
Ao longe, a barca louca perde o norte,
...
Um espelho de água,
A vida a navegar por entre
o sonho e a mágoa
...
Excertos de "O Mar e Tu", Andrea Bocelli & Dulce Pontes
***
Sonhei que sobrevoava águas com estas cores.
Disseram-me que eram o meu EU interior.
Tão belo este mar, pela sua profundidade e imponência!
Foram tantas as vezes que o vi, tantas as vezes que o ouvi, tantas as vezes que o senti … acompanhada pelos ventos fustigantes!
A onda que bate estrondosamente nas escarpas deixando subir a sua espuma salgada … o som grave do impacto, a entrada desta massa aquosa pelas cavidades rochosas, provocando uma força tal que aquilo que era água emerge quase em vapor… o azul que passa a verde e imediatamente se transforma em branco… um barco muito ao longe mesmo em dias de alguma tempestade…
Que não ouvi e devia ter ouvido?
Que não vi e devia ter visto?
Que não senti e devia ter sentido?
Questões, quem não as tem? Respostas… talvez um dia!